A inauguração de um centro de tradução para a língua Tikuna em Tabatinga, na região da Tríplice Fronteira, está gerando reações intensas de ativistas e movimentos sociais. A instalação, mantida pela organização religiosa Testemunhas de Jeová, visa traduzir materiais bíblicos para converter povos originários, mas isso é visto com preocupação por lideranças culturais que buscam preservar a identidade indígena.
Centro de Tradução e seus Objetivos
O novo prédio de dois andares, situado no centro de Tabatinga, foi inaugurado em 19 de fevereiro, após oito meses de obras com a colaboração de cerca de 300 voluntários. Seu foco principal é o portal JW.ORG, utilizado para treinar pregadores e facilitar o batismo de indígenas na doutrina da Testemunhas de Jeová. Apesar de ser promovido como uma medida de inclusão linguística, o Movimento de Ajuda às Vítimas das Testemunhas de Jeová (MAV-TJ) critica essa iniciativa.
Impactos na Cultura e Saúde Indígena
As críticas à instalação do centro se concentram em duas doutrinas: a proibição de transfusões de sangue e a política de ostracismo social. O líder do MAV-TJ, Yann Rodrigues, salienta que essas normas podem resultar em consequências fatais, especialmente em comunidades indígenas onde o coletivismo é fundamental. Ele enfatiza que essas doutrinas extremistas podem comprometer a integridade das relações comunitárias e familiares entre os povos originários.
“O pecado de aceitar transfusão de sangue e a discriminação contra ex-membros são ataques diretos à vida comunitária desses povos”, alerta Rodrigues, enfatizando a necessidade de proteção territorial e demarcação, em vez da imposição de costumes estrangeiros. Segundo ele, os indígenas devem ressoar sua identidade e valores tradicionais sem a influência de doutrinas externas.
Fiscalização e Demandas Legais
Diante dessa preocupação, o MAV-TJ faz um apelo a órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF) para uma atuação mais assertiva. O objetivo é garantir que as denominações religiosas não avancem de forma invasiva sobre áreas vulneráveis. O ativista previu protocolar denúncias formais para investigar as atividades da Testemunhas de Jeová em Tabatinga, refletindo um embate maior sobre a autonomia dos povos indígenas frente ao proselitismo religioso na Amazônia.




