Transferido para SP, Melqui Galvão intimida de dentro da viatura

Transferido para SP, Melqui Galvão intimida de dentro da viatura

Na noite da última quinta-feira (7), o saguão do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, foi o cenário do desembarque sob custódia de uma das figuras mais conhecidas e, agora, mais controversas do jiu-jítsu brasileiro. Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, o Melqui Galvão, chegou à capital paulista em um voo comercial da Latam, transferido do Amazonas para responder a graves acusações de abuso sexual.

O treinador e policial civil estava preso preventivamente em Manaus desde o final de abril. Durante o trajeto e a chegada sob escolta, o comportamento do lutador chamou a atenção. Segundo relatos de quem acompanhou de perto as movimentações e das próprias denúncias sobre seu perfil intimidador, a postura do suspeito não refletia submissão. Mesmo diante da gravidade do caso, testemunhas e pessoas próximas ao inquérito comentam que “ele ainda fica encarando”, numa atitude descrita como uma tentativa de manter a mesma aura de poder e intimidação que, por anos, calou seus alunos nos tatames.

O Impacto das Acusações

A transferência de Melqui Galvão foi autorizada pela Justiça após um pedido da Polícia Civil de São Paulo, que lidera as investigações através da 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). O cerco contra o professor de artes marciais começou a se fechar após a denúncia de uma ex-aluna de 17 anos. A jovem, que atualmente reside nos Estados Unidos, relatou às autoridades atos libidinosos não consentidos ocorridos durante uma viagem para uma competição internacional.

A partir desse primeiro passo de coragem, um padrão sombrio começou a emergir. A DDM já reuniu relatos de ao menos três vítimas espalhadas por diferentes estados do Brasil. Um dos depoimentos mais chocantes aponta que uma das vítimas tinha apenas 12 anos na época dos abusos. Além dos relatos, os investigadores possuem uma gravação entregue pelos denunciantes, onde Galvão supostamente admite os fatos de forma indireta e tenta comprar o silêncio da vítima mediante compensação financeira.

Além da prisão, a polícia já havia cumprido três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Melqui na cidade de Jundiaí, no interior paulista.

Da Reputação ao Descrédito

Melqui Galvão construiu uma imagem de sucesso não apenas revelando talentos no esporte, como também tendo uma campeã olímpica como nora, que recentemente veio a público cobrar responsabilização. Além disso, ele é servidor efetivo da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), onde atuava no setor de capacitação, ministrando aulas de defesa pessoal.

Com as acusações contra ele:

  • Foi afastado cautelarmente de suas funções na polícia.
  • Por possuir prerrogativas do cargo, permaneceu detido em uma cela especial na Delegacia Geral (DG) do Amazonas até o momento de sua transferência para São Paulo.

As corporações dos dois estados mantêm contato, e a PC-AM confirmou que depoimentos presenciais e virtuais continuam sendo colhidos em Manaus para apurar a extensão de seus crimes.

Até a última atualização desta reportagem, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) não havia divulgado para qual unidade prisional paulista o professor foi encaminhado após seu desembarque. As investigações continuam, enquanto o mundo das artes marciais lida com o impacto das denúncias de que o ambiente de disciplina e esporte foi, por anos, usado como escudo para crimes graves.