O clima político em Caapiranga, município a 133 quilômetros de Manaus, atinge seu nível máximo de ebulição nesta quinta-feira (16). O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) incluiu na pauta das 12h a sessão que julgará o recurso contra a cassação do prefeito Matulinho Xavier Braz e de seu vice, Jorge Martins Sobrinho. O caso, que escancarou um suposto abuso da máquina pública nas eleições, pode afastar definitivamente a atual chapa do comando da cidade.
O Esquema de Voto da Subsistência
A investigação formalizada na Justiça Eleitoral desvendou um esquema orquestrado pelo ex-prefeito Francisco Andrade Braz, tio de Matulinho. Segundo os autos do processo, a gestão anterior promoveu uma contratação em massa e irregular de servidores temporários durante o período eleitoral vedado, visando garantir a vitória do sobrinho.
Durante a instrução do processo, o juízo eleitoral constatou graves anomalias: contratos sem assinaturas, admissões com datas retroativas e pagamentos que começaram a ser creditados apenas na reta final da campanha eleitoral. Na sentença inicial, o juiz Marco Aurélio Plazzi Palis destacou que a prática da prefeitura criou um inadmissível “estado de submissão” dos trabalhadores, caracterizando a manobra como uma exploração cruel do que chamou de “voto da subsistência”.
Condenação e Recursos
Diante da robustez das provas, a condenação em primeira instância resultou na cassação dos diplomas do prefeito e do vice, além da inelegibilidade de Matulinho e de seu tio por oito anos, e uma multa de 50 mil UFIRs ao ex-prefeito. Contudo, ambos permaneceram nos cargos até que o Tribunal formasse um veredito.
Sob a relatoria da desembargadora Vânia Marques Marinho, o julgamento retorna ao plenário em meio a tentativas de adiamento. A defesa de Matulinho argumentou impossibilidade de comparecimento à sustentação oral, apresentando um pedido urgente para suspensão da sessão. Até o momento, a Corte manteve o processo na pauta.
Pressão Popular e Interferências
Fora dos tribunais, o caso ganhou repercussão com rumores sobre pesadas interferências políticas. O debate público foi inflamado por um vídeo onde o deputado federal Átila Lins (PSD) menciona que ele e o senador Omar Aziz atuariam nos bastidores para “salvar” o mandato do prefeito, sugerindo uma suposta articulação sobre o Poder Judiciário Eleitoral.
Do lado da acusação, o peso institucional se mantém firme, com o Ministério Público Federal já emitindo parecer favorável à manutenção da cassação. Se o TRE-AM confirmar a sentença, Caapiranga terá um novo capítulo em sua história, caminhando rumo a eleições suplementares e deixando a população em expectativa e desconfiança sobre os rumos da política local.

