Brasil – A relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos atravessa um momento de atrito significativo. O governo brasileiro tornou-se o único alvo de retaliações por parte da administração de Donald Trump devido ao tempo de análise para a aceitação de Daniel Pérez, nome escolhido para assumir a representação diplomática norte-americana em Brasília. A medida expõe um tratamento duro de Washington, especialmente porque outros 19 embaixadores indicados na mesma data aguardam aprovações semelhantes em outros países.
Enquanto outros 19 indicados por Donald Trump aguardam aprovação de seus respectivos países-sede, apenas o governo brasileiro foi punido com a revogação do visto de sua representante em Washington.
A sanção contra a diplomacia brasileira
Como forma de pressionar o Itamaraty a acelerar a aceitação do novo embaixador, o Departamento de Estado dos EUA adotou uma medida incisiva nesta semana: a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
Segundo a chancelaria norte-americana, a autorização diplomática de Viotti permanecerá suspensa e só será restabelecida quando o governo brasileiro conceder o sinal verde oficial (conhecido no meio diplomático como agrément) para a chegada de Daniel Pérez.
Uma punição isolada
O fator que mais chama a atenção na ofensiva de Washington é a exclusividade da pressão sobre o Brasil. A cronologia dos fatos evidencia a discrepância no tratamento:
- 1º de junho: A Casa Branca anunciou a indicação de Pérez para o Brasil juntamente com outros 19 nomes para postos no exterior.
- 7 de agosto (sexta-feira): O Senado dos EUA aprovou um bloco de 73 indicações de Trump, incluindo os 20 embaixadores anunciados em junho.
- O cenário atual: Dados públicos da diplomacia norte-americana mostram que nenhum dos 20 indicados daquele lote inicial assumiu suas funções, sinalizando que os demais países também seguem processando a aprovação.
Apesar de a espera ser uma constante global para este grupo específico de indicados, o Brasil foi a única nação a sofrer represálias de Washington.
Quebra de protocolo e a defesa do Itamaraty
O agrément é um trâmite previsto na Convenção de Viena que estabelece as regras das relações diplomáticas. Trata-se de um processo composto por consultas reservadas e análises criteriosas sobre o histórico e os antecedentes do diplomata indicado.
Diante das acusações da administração Trump de que estaria criando obstáculos, o governo brasileiro afirma que a análise segue seu ritmo perfeitamente normal. Além de negar lentidão intencional, o Itamaraty aponta que os próprios Estados Unidos atropelaram as normas e praxes internacionais neste caso.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a indicação de Pérez foi divulgada publicamente pela Casa Branca antes mesmo de os EUA enviarem o pedido formal de agrément ao Brasil. Pela tradição e boas práticas da Convenção de Viena, as conversas sobre novos embaixadores devem ocorrer de maneira estritamente reservada entre as chancelarias antes de qualquer anúncio público, protocolo que foi ignorado por Washington e que foi o estopim para o atual impasse.




