Manaus – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e com apoio da Polícia Civil, deflagrou na manhã desta segunda-feira (27/07) a Operação Usura, cujo objetivo é desarticular uma organização criminosa especializada em agiotagem e extorsão. A ação teve como um dos principais alvos o policial militar Marcio Roberto Ribeiro Coutinho, conhecido pelo apelido de “Cara de Sapato”. Ele é acusado de ser um dos integrantes da quadrilha e já havia sido preso preventivamente na última quarta-feira (22/07), em uma ação que precedeu a fase principal da operação realizada hoje.
A investigação que resultou na prisão do policial e de outros envolvidos foi iniciada há cerca de quatro meses, após uma denúncia de uma servidora do Poder Judiciário, que revelou que o grupo tinha como alvo principal servidores públicos. O Gaeco identificou uma estrutura criminosa que chegava a conceder empréstimos de até R$ 200 mil por vítima, impondo condições que criavam uma verdadeira armadilha financeira com juros abusivos de 30% a 70% ao mês. Para garantir o recebimento das dívidas, os criminosos utilizavam táticas severas de intimidação psicológica contra os devedores.
Operação Usura e suas implicações
Sob a coordenação do promotor de Justiça André Epifânio e com o apoio do coordenador do Gaeco, Leonardo Tupinambá, a operação visa atingir um total de 24 pessoas físicas e jurídicas. O escopo das investigações também inclui três advogados, cujos escritórios foram alvos de buscas devido ao seu vínculo com os investigados. Nesta fase da operação, foram expedidos dois mandados de prisão e 16 de busca e apreensão, que foram cumpridos em diversos imóveis localizados nos bairros Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores, em Manaus. Um dos alvos com mandado de prisão não foi encontrado e está foragido, enquanto duas pessoas foram presas em flagrante durante as diligências, sendo uma delas por desacato.
Apreensões e avanço das investigações
O saldo das apreensões realizadas pelas equipes incluiu dois veículos, joias, documentos e aparelhos celulares, além da determinação de bloqueio judicial das contas bancárias dos envolvidos. De forma preliminar, as autoridades também encontraram cerca de R$ 160 mil em espécie durante as buscas, valor que ainda será submetido à conferência oficial. Até o momento, não foi possível estimar o prejuízo financeiro total causado pela quadrilha ou o período exato de sua atuação. As investigações seguem em sigilo, visando aprofundar a apuração dos fatos, localizar novas vítimas, dimensionar os danos causados e identificar a possível participação de outros membros na organização criminosa.
Contexto e repercussões sociais
A Operação Usura traz à tona um problema alarmante que afeta não só o sistema financeiro, mas também o bem-estar de indivíduos e famílias que foram alvos dessas práticas abusivas. A atuação de agentes públicos em esquemas de agiotagem mancha a credibilidade das instituições e dificulta a luta contra a corrupção. O silêncio que envolve muitas vítimas, muitas vezes por medo de represálias, contribui para a perpetuação desse tipo de crime. A mobilização das autoridades é essencial para promover um ambiente mais seguro e justo para todos.
O combate à agiotagem deve ser uma prioridade, já que essa prática se aproveita da vulnerabilidade financeira das pessoas, e os efeitos são devastadores. Com ações coordenadas entre diferentes esferas do governo e a sociedade, é possível reverter esse quadro, promovendo a conscientização e a proteção aos cidadãos. A luta do MPAM e da Polícia Civil deve ser vista como um exemplo de que a colaboração entre instituições é fundamental para enfrentar a criminalidade organizada e seus efeitos nocivos.
Os vídeos da operação também foram disponibilizados, mostrando o andamento e a seriedade das investigações:

