Mundo – A guerra no Oriente Médio, iniciada no final de fevereiro de 2026, atingiu um novo e perigoso patamar de intensidade neste final de semana. Em uma ofensiva em múltiplas frentes, o Irã não apenas mirou alvos militares e de inteligência de alto valor em Israel, mas também intensificou o uso de munições de fragmentação — armamentos amplamente condenados devido ao seu potencial destrutivo indiscriminado.
A ofensiva iraniana confirmou ataques diretos contra as bases aéreas israelenses de Palmachim e Ovda. Eleva-se assim o escopo da operação, com drones equipados com explosivos alcançando a sede do Shin Bet, o serviço de inteligência interna de Israel.
Além dos disparos vindos do território iraniano, em uma ação coordenada com Hezbollah, cerca de 200 mísseis e foguetes foram lançados a partir do Líbano em direção ao norte e ao centro de Israel. Embora o volume massivo de projéteis não tenha registrado vítimas fatais nesta onda específica de ataques, danos materiais são evidentes — uma residência foi completamente destruída no vilarejo de Haniel, na região central do país.
Paralelamente aos ataques direcionados, imagens verificadas e relatos de autoridades mostram que o Irã tem empregado mísseis equipados com ogivas de fragmentação contra áreas povoadas em Israel. Desde o início do conflito em 28 de fevereiro, a unidade de desativação de bombas da polícia israelense confirmou mais de 10 lançamentos de mísseis com essa tecnologia.
Implicações do uso de munições de fragmentação
As munições de fragmentação funcionam liberando dezenas de “submunições” em pleno ar, espalhando explosivos por uma área ampla. Seu uso em áreas urbanas levanta questões sérias nas leis de guerra. Apesar de um acordo internacional em 2008 ter banido essas armas, potências como os Estados Unidos, Rússia, China, além do próprio Irã e Israel, não aderiram ao tratado.
- Adil Haque, professor de direito internacional da Universidade Rutgers, destaca que as submunições “são lançadas de forma aleatória” dificultando a locação apenas a alvos militares.
- Bonnie Docherty, da Human Rights Watch, alerta que as ogivas frequentemente falham em detonar no impacto, transformando-se em pobres minas terrestres que podem explodir e afetar civis anos depois.
- Imagens que registram a explosão de uma submunição iraniana em uma rua de Or Yehuda e rastros em Tel Aviv reafirmam a tragédia desse conflito.
Segundo o especialista em mísseis Tal Inbar, essa estratégia do Irã pode ser uma tentativa deliberada para sobrecarregar o sistema de defesa aérea de Israel. Mesmo que um míssil interceptor atinja a ogiva principal, dezenas de submunições podem sobreviver, complicando ainda mais a interceptação.
O Custo Humano e Consequências
O balanço humano do conflito cresce rapidamente. Do lado israelense, doze pessoas já faleceram nos ataques, com pelo menos 11 dessas sendo civis. Destas, duas mortes foram diretamente atribuídas a munições de fragmentação.
A retaliação tem sido pesada. Com a participação dos Estados Unidos, que alegam ter atacado cerca de 6 mil alvos desde o início do conflito, o embaixador do Irã na ONU relatou que mais de 1.300 iranianos morreram em bombardeios, embora esse número não seja discriminado entre civis e combatentes. Com o uso de munições de fragmentação e os ataques coordenados, as perspectivas de um fim pacífico parecem cada vez mais distantes.
